Nem sempre vai ficar tudo bem

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Esse não é um texto sobre esperança. Muito menos pra te fazer acreditar que, no fim, vai dar tudo certo. Porque a verdade é que não é sempre que vai dar, não. Às vezes vai dar errado de todas as formas possíveis e imagináveis (talvez nem sempre imagináveis), por mais que você deseje e tenha feito de tudo pra dar certo. A vida nunca foi muito justa e nem sempre é a sua boa vontade que vai mudar isso.

Talvez aquela sua viagem tão bem planejada seja totalmente o oposto do que você planejou. Aquele emprego que você tanto quis acabou com alguém que falava mais idiomas que você. Você se esforçou pra caramba pra conseguir alguma coisa e ninguém deu o valor devido. O amor da sua vida já tem outro amor.

Às vezes são pequenas coisas. Mas às vezes essas derrotas se tornam tão grandes que a gente se pergunta se vai realmente conseguir superar aquilo Mas olha, vai sim. Talvez com algumas baitas cicatrizes, mas vai. Com um jeito de encarar o mundo totalmente diferente, mas vai. Nem sempre vai ficar tudo bem, não do jeito que você queria que ficasse. Mas vai ficar tudo certo, de uma forma ou de outra.

Esse não é um texto sobre esperança. Mas é pra te mostrar que isso tudo é inevitável. Que, no fim das contas, não é sempre culpa sua. Que se não fossem essas derrotas talvez você não desse tanto valor a tudo que vai conquistar depois. Que vai doer, pode até demorar, mas dor nenhuma dura pra sempre.

Quando não dá mais pra insistir

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Minhas amigas já cansaram de me ouvir dizendo que cansei. Tenho certeza que a maioria delas já não coloca mais tanta fé em mim. Mas elas me escutam reclamar de você. São minhas amigas, oras. Às vezes eu mesma começo a revezar na hora de contar sobre os seus vacilos. É que, no fundo, eu não quero que elas te odeiem, e tenho certeza que muitas fariam isso caso soubessem de tudo que eu me permito passar por causa de você.

Já faz um tempo que não recebo notícias suas, inclusive. As coisas por aqui já não são mais tão alegres como costumavam ser. Veja bem, não foi só um vazio que você deixou quando resolveu ir embora. Aliás, poderia ser só isso, se você tivesse simplesmente ido embora. Acontece que sua presença inconstante me causa mais perturbações que se você tivesse realmente saído da minha vida.

Não estou te culpando pelos meus problemas. Sei que é de minha responsabilidade o meu próprio bem-estar. Mas sabe, eu me tornei uma pessoa ansiosa. A simples possibilidade de receber uma notícia ruim sobre você já me deixa desconcertada, e se existia alguém que passava longe dessa realidade, esse alguém era eu. Apesar de tudo, a mínima chance de algo ter dado errado na sua vida me deixa preocupada, mesmo sabendo que esse sentimento anda em uma via de mão única.

Não espero que as coisas deem errado para você. Nunca consegui verdadeiramente desejar o seu mal. Mas a verdade é que eu cansei, mesmo quando nem eu mesma gostaria que isso acontecesse. Só espero que você comece a entender que os seus atos têm consequências. E que não, não está tudo bem em brincar com quem um dia só quis o seu bem.

Eu também sou mulher direita

Eu também sou uma moça de família. Nunca destratei os meus pais ou meus avós. Trato os idosos com o máximo de respeito e consideração. Sou louca por crianças e tenho mais cuidado com elas que qualquer outra coisa.

Eu também sou uma mulher de valor. E não é porque saio pra beber com minhas amigas que isso vai ser diferente. Ou por gostar de dançar como se não tivesse ninguém olhando. Nem por ser bem resolvida a respeito do que quero de outras pessoas. Muito menos por deixar isso claro sem rodeios.

Eu também sou mulher direita. E não alguém pra te distrair quando você estiver cansado da sua namorada. Ou alguém com quem você acha que pode fazer o que quiser, sumir e depois voltar quando bem entender. Muito menos um passatempo qualquer, a não ser que estejamos de acordo. Inclusive me reservo o direito de estar de acordo, sem ser julgada por isso.

Eu também sou uma moça de família, mas isso não me impede de ser bem decidida e independente. Mas acima de tudo, eu sou uma mulher que exige respeito. E nada do que você diga ou faça vai mudar isso.

Uma das poucas certezas que posso te dar 

 

 

Acontece que tem gente que, não importa o quanto façamos por onde, nunca vai levar a sério o suficiente. É que tem gente que não vale o tempo. Tem gente que não vale o esforço. E, pior ainda, tem gente que finge valer tudo isso.

Não adianta fugir, você ainda vai encontrar alguém assim por aí. A depender da sua sorte, mais de uma vez inclusive. Não importa o quão maduro, evoluído ou blindado você se considere, você provavelmente não vai conseguir escapar assim fácil. Provavelmente não vai nem se dar conta da situação em que está se metendo até que seja tarde. E você vai quebrar a cara. E sinto informar, vai doer. E você vai se perguntar por que, depois de enfim ter se permitido se entregar, tudo acabou assim.

Mas por favor, não se culpe por isso. Não deixe que isso te torne alguém fechado a novas oportunidades. Não deixe que isso te faça uma pessoa amarga que só pretende ferir os outros. Acima de tudo, não deixe que isso te impeça de ver o quanto essas decepções são necessárias.

Pouco a pouco a gente se recupera, vai se reerguendo e aprende que não há melhor forma de lidar com isso que cuidando de si mesmo. E é só assim que um dia pode aparecer alguém que valha tudo aquilo.

Pelo direito de se permitir insistir

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“Vai passar”, eles disseram. Mas ninguém se lembrou de perguntar se eu queria que passasse. Ninguém se incomodou em procurar saber se eu realmente estava sofrendo assim como diziam. Se eu estava mesmo procurando por uma saída dessa situação como queriam que eu fizesse.

Estamos cercados de relações passageiras, é verdade. Será que alguém já parou pra se perguntar o porquê disso? Será que o problema não está mais perto do que imaginamos? Acontece que, ao mínimo sinal de dificuldade, o primeiro instinto é cair fora. Partir pra outra, desapegar, esquecer.

Sou extremamente a favor de desapegar de uma situação, relação, ou o que for que cause mal. Se faz mais mal que bem, já era. Sou meio fria por conta disso? Talvez. Mas isso também mostra outro lado. Não vou partir pra outra enquanto achar que ainda existem chances por aqui. Sinto essa necessidade de dar uma chance não ao outro, mas a mim mesma. Uma chance de, pelo menos uma vez, me arriscar, de fazer o meu máximo para que no fim eu saiba que fiz a minha parte e esgotei todas as minhas fichas.

Alguns acham que isso é prorrogar o sofrimento. Eu apenas acho que é não desperdiçar oportunidades simplesmente porque há uma pedra no meio do caminho. Pra fazer algo dar certo é preciso arriscar, não só esperar pela vontade do outro, afinal, não só de uma metade se faz um relacionamento. Acima de tudo, não existe relacionamento sem que haja a vontade de mergulhar no outro. De decifrar pensamentos, atitudes e, por que não, de ultrapassar dificuldades.

Relações passageiras são ótimas até certo ponto, mas o fato é que, eu particularmente cansei de coisas rasas. E sinceramente, não vejo mais problema algum em admitir isso.

Tudo aquilo que os últimos anos trouxeram

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Acabei de fazer aniversário, mas sabe a tal crise dos 20 anos? Acho que ela já bateu. Inferno astral, azar, chame do que for, essa maré de acontecimentos recentes andou me fazendo pensar muito e acho que o peso da idade bateu. Estou longe de ser uma pessoa muito vivida e com tantas experiências assim pra contar, mas tenho que admitir que já entendi certas coisas.

Entendi que nossos pais sempre querem o nosso melhor e que todas as suas ações (apesar de não parecer às vezes) são para que isso aconteça, mas não quer dizer que eles nunca vão errar. Entendi que todo privilégio exige certa responsabilidade. Desejamos tanto independência, liberdade, que nem sempre paramos pra pensar em tudo que a tal liberdade traz consigo. Responsabilidades extremamente necessárias para o nosso crescimento, mas que podem dar muita dor de cabeça.

Entendi também que às vezes, não importa o quanto nos dediquemos a algo e façamos por onde isso acontecer, não vamos conseguir certas coisas. Existem milhares de pessoas por aí e muitas delas vão ser melhores que nós em determinados aspectos. E não há nada de errado nisso. Graças à isso, entendi que aquela história de que certos males vêm para o bem é pura verdade. Na hora do aperto não nos damos conta de que, no futuro, algo muito melhor (que não nos aconteceria caso continuássemos na situação anterior) pode aparecer. Entendi que vai dar vontade de desistir de tudo sim, mas existem pessoas com problemas maiores que os nossos que nos fazem ver como é possível se reerguer e tentar de novo.

Aprendi que está tudo bem mudar de opinião, o que não dá é se fechar para ideias e conceitos novos por pura teimosia. Aprendi que, por mais que uma desilusão amorosa nos faça sofrer, uma hora vai passar. E nós somos extremamente capazes de amar de novo, basta não ter medo de arriscar. Falando em arriscar, sempre é a hora de experimentar algo novo. Seja um curso, uma viagem pra um lugar diferente, novas amizades. A excitação do novo empolga e muitas vezes é o que nos move. Aprendi que é necessário aprender a dizer não, porque infelizmente existe muita gente que se aproveita do nosso sim. E por causa disso, aprendi, até certo ponto, a saber com quem realmente posso contar e quem só está ali por conveniência. Aprendi que não adianta apressar as coisas, experiências vêm no seu tempo e principalmente, o aprendizado que elas trazem também.

 

 

Sobre o peso das decisões

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Ser uma pessoa decidida nunca foi exatamente o meu forte. Não por não saber o que quero, mas justamente por querer coisas demais. Apesar de tudo, a maioria das minhas decisões levava em conta não só as minhas vontades, mas também a dos outros envolvidos.

O problema é que chega uma hora que não dá mais pra agir assim. E, mesmo seguindo os conselhos dos ouros, uma hora a consciência vai bater, você vai começar a se perguntar se é isso mesmo que você quer e não vai dar pra procrastinar a decisão. E enfim esse momento chegou pra mim.

Quando parecia que estava tudo definido, me dei conta de que não sabia se aquilo era minha vontade ou se estava apenas seguindo a maré. Pior ainda, depois de analisar tudo, bateu o medo de admitir pra mim mesma qual a decisão eu havia tomado, já que vai contra tudo que eu venho dizendo há quase dois anos.

Acontece que, apesar de existirem sim pessoas que podem ser afetas pelas minhas e pelas suas decisões, quem mais vai sofrer as consequências somos nós. Somos nós que vamos ter que suportar o peso delas no dia-a-dia. Somos nós que vamos nos perguntar se tomamos a decisão certa. E, principalmente, somos nós que vamos sentir falta do que quer que abdiquemos. “Cada escolha é uma renúncia”. Frase clichê, antiga e já bem conhecida, mas, infelizmente, uma das maiores verdades que eu conheço.

A geração dos que já nasceram cercados de expectativas 

Em um desses dias em que a gente gasta o tempo ocioso na internet, entrando em qualquer site que pareça interessante, fui parar em um blog sobre viagem, que destacava um texto sobre a geração que larga tudo pra viajar. Não vim aqui discorrer sobre viagem, mas sim sobre uma frase em particular que me chamou atenção.

A autora do texto disse que nós “nascemos em uma geração que deixou tudo preparado para nós, inclusive os nossos sonhos”. E, caramba, tem como ser mais realista? Sou uma jovem de classe média, que, graças ao esforço dos pais, tem mais que o necessário pra sobreviver. Meus pais (e os da maioria das pessoas com quem convivo) trabalham desde cedo, ao contrário de mim e de muitos que conheço que tem condição semelhante à minha. Obviamente não estou reclamando, sou imensamente grata por tudo que me foi proporcionado e tenho plena consciência de que existem milhares de pessoas que gostariam de estar em meu lugar.

O que muita gente não sabe, e que espero que não pareça “pequeno” diante de tantos problemas que a gente vê por aí, é que, junto com isso tudo, existe um sentimento de dívida. Faço um curso que gosto, mas que ainda não sei se é isso que vou amar fazer pro resto da vida. E é essa dúvida me deixa frustrada.

Me deixa frustrada porque, além das expectativas que eu mesma criei em relação à minha vida profissional, criaram expectativas por mim. Esperam constantemente que sejamos bem sucedidos, de preferência sem qualquer experiência anterior de fracasso. Essa expectativa é inconsciente, mas existe. Esperam que escolhamos coisas que, antes de tudo, nos tragam estabilidade financeira.

Mas à custo de que? Da minha realização profissional, talvez. E como assim, depois de tanto investimento, eu ainda tenho vontade de escolher algo que não garanta essa estabilidade eterna? Como assim, você não quer fazer concurso público? Como assim, você quer largar seu curso pra tentar algo que você nem sabe se vai dar certo?

Falando por mim como parte dessa geração, acho que existe uma frustração constante do lado de cá. Frustração essa por nem sempre poder atender às expectativas propostas, por não dar todo aquele retorno que esperam de nós e correr o risco de decepcionar. Cedo ou tarde, apesar da frustração, cabe a cada um tomar uma decisão: você vai viver o sonho de quem?

Sobre o direito de me permitir ser minha

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Resolvi tirar um tempo só pra mim. Me dar um tempo, sabe? Acho que depois de tanto me afogar no mar das minhas próprias expectativas (e também perceber que nem sempre é possível evitá-las), simplesmente cansei de alimentá-las com coisas ou pessoas superficiais.

Afinal, chega uma hora que a gente simplesmente para de se importar, né. Não com tudo, obviamente. Mas de se importar em vão, com o que não vai levar a nada. Não que devamos obrigatoriamente parar de aproveitar coisas momentâneas, passageiras e afins. Mas se há plena consciência de que é transitório, pra que apostar tantas fichas e esquentar tanto a cabeça?

Percebi também nesse tempo que acabei desenvolvendo certo tipo de preguiça de gente. Preguiça de fazer por onde, de me esforçar e de perder tempo com gente vazia. Já que realmente resolvi me dar um tempo, acho que tudo isso faz parte. E quer saber? Eu tenho esse direito. De me permitir recusar convites apenas por preguiça. E, principalmente, por vontade e necessidade de me colocar em primeiro lugar. Colocar as ideias no lugar. A vida no lugar.

Não quero ser o tipo de pessoa que se entrega a qualquer coisa pela metade, sei muito bem que ninguém merece alguém assim. O que muitos não entendem é que, pra ser inteira, eu não preciso de ninguém além de mim mesma.

Amizade é via de mão dupla

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Ao longo dos meus míseros 19 anos de idade, se teve uma coisa que nunca vi foi algum relacionamento dar certo quando só houve esforço de uma das partes. Não estou falando de se esforçar para impressionar e dar motivos para que o outro queira ficar, afinal, sempre fui adepta a filosofia que diz que se precisamos nos esforçar tanto para manter alguém ao nosso lado, é porque ele não merece estar ali. Além disso, cheguei em uma fase em que só vejo necessidade de conviver com quem realmente tem algo a acrescentar e me mostra que todo o “esforço” é mútuo.

Estou aqui falando não em insistir para que o outro fique, e sim em não dar motivos para que ele vá. Em evitar confusões desnecessárias por motivos que logo, logo serão esquecidos. Reconhecer que não é porque é seu amigo que te pertence exclusivamente. Reconhecer também que cada um tem suas limitações e o que pode ser algo pequeno e sem importância para você pode vir a se tornar uma grande magoa para o outro. Aprender a passar por cima do orgulho por quem merece e se desculpar por qualquer mal causado mesmo que sem intenção. Aprender também a perdoar e se dar conta de que, como seres humanos, somos todos passíveis ao erro, e não será seu amigo que vai fugir da regra. Aprender que na amizade verdadeira não existe ganhador e perdedor, existem duas pessoas que abrem mão de certas coisas por um bem maior.

Já perdi as contas de quantos “amigos” perdi até hoje por falta dessas coisas básicas. Por falta de respeito, de confiança, de compreensão. Dizem que, à medida em que envelhecemos, nosso círculo de amizade tende a diminuir. Não desejo que comigo seja diferente. Desejo apenas que comigo fiquem os poucos, os bons, os loucos e, acima de tudo, os que, não importa a distância ou o tempo que fiquem afastados, sempre estarão ali.