Wanderlust

20140904-155943.jpg

Sempre fui meio nômade. Desde pequena me mudei bastante e graças a isso fui desenvolvendo o desejo de viajar. Ate os 12 anos tinha morado em 5 cidades diferentes, visitado muitos outros, e isso acabou moldando parte do que sou hoje. Sou daquelas que tem um desejo incontrolável de sair por ai sem planejar todos os detalhes, simplesmente pela necessidade de conhecer lugares, pessoas e sensações diferentes.

Meu sonho é fazer um mochilão, desses dando volta ao mundo, seja sozinha ou acompanhada, onde o que importa não é a quantidade de dinheiro que eu terei, nem as roupas que eu poderei comprar, muito menos o conforto dos lugares que vou ficar, e sim a qualidade da experiência que eu vou ter. A sensação de me conhecer melhor e só assim me descobrir como pessoa, ficando frente a frente com meus medos e anseios e aprender na marra como virar sozinha.

Até agora não descobri como exatamente vou fazer isso. Me falta algum incentivo maior, e claro, planejamento e condições financeiras (mínimos que sejam), pra dar o primeiro passo. Mas sou daquelas que depois que começa não quer mais parar. Aí seremos eu e o mundo, essa imensidão que eu tanto anseio conhecer.

Entre as Nuvens

20140727-094926.jpg

Não lembro exatamente qual era o dia da semana. Tudo que eu lembro era que você usava um suéter preto por cima de uma camisa branca. E a única coisa que sei sobre você é que seu nome começa com R.

Eu estava sentada na 14F, pronta pra enfrentar uma viagem cheia de escalas e conexões de Manaus até a minha terra, você sentava na 14C e não largava daqueles fones de ouvido. Foi impressão minha ou passamos a viagem inteira trocando olhares? Ajudei sua mãe a carregar as malas e percebi o olhar de cumplicidade que você me lançou. Descemos em Fortaleza e lá estava você do meu lado, e olha só, o próximo voo também era o mesmo que o meu. Sorrimos ao perceber que dessa vez eu estava na 14A e você na 14D.

Te imaginei sentando ao meu lado, perguntando o meu nome e então iríamos começar a conversar como se nós conhecêssemos há anos. Você partilharia os seus gostos e anseios e eu, sempre muito reservada e receosa com pessoas que acabei de conhecer, te deixaria ver um lado meu que poucos conseguem. Trocaríamos contatos com a certeza que um dia nós veríamos de novo, porque caramba, não é todo dia que acontece uma coisa assim né? Conhecer alguém desse jeito e ter vontade de não largar mais nunca? Que nada, qualquer um diria que é coisa de filme. Nos despediríamos com o coração apertado, mas ansiando pelo próximo encontro. Me peguei sentindo coisas que eu nunca havia sentido antes, e tudo isso por um completo estranho que eu não sabia nem o nome!

Antes que qualquer uma dessas coisas pudesse ter acontecido, o avião fez a ultima escala antes do meu destino e, pra minha tristeza surpresa, você desembarcou. Mesmo sem ter trocado uma palavra sequer comigo, olhou pra trás e acenou meio cabisbaixo, me mostrando que talvez eu não tivesse imaginado aquelas coisas sozinha. Acenei de volta e, naquele momento, senti como se você também tivesse levado uma parte de mim. Quem sabe em um outro voo a gente se encontra e você me devolve?

Nota

Liberdade na Estrada

Imagem

Já ouvi muita gente comentando que não gosta de viagem de carro, seja por medo ou pelo simples fato de ficar entediada depois de passar algumas horas sentada. Eu sou exatamente o contrário… Troco fácil viagens de avião simplesmente pelo prazer de pegar a estrada. Sou daquelas que não se incomoda de passar 8, 10, 12 horas dentro de um carro, tendo um destino exato ou não. Tanto que uma das melhores viagens da minha vida foi aquela que fiz de Sergipe até Santa Catarina, de carro, durante uns 5 dias, sem pressa, sem roteiros, e ao chegar em algum estado ou país diferente, sempre me empolgo conhecendo as rodovias do lugar. Nada se compara ao prazer de conhecer novas paisagens, descobrir novos lugares e realidades através da janela de um carro. Acho que a questão é que, além de me acalmarem, as estradas me fazem ver um pouco da imensidão do mundo, a variedade de caminhos que podemos seguir na nossa vida, conhecendo novos e deixando alguns antigos para trás pra enfim chegarmos no nosso destino. E é justamente assim que a vida tem que ser, se não deixarmos antigas pessoas, lembranças, dores e coisas que nos prejudicam para trás, como poderemos sair chegar a algum lugar? As estradas me fazem ver que o mundo é grande demais pra ficar preso num lugar só, que eu fui feita pra andar solta no mundo. Elas me proporcionam uma sensação de liberdade indescritível, que alguém que compartilha dessa minha paixão pode entender.