A geração dos que já nasceram cercados de expectativas 

Em um desses dias em que a gente gasta o tempo ocioso na internet, entrando em qualquer site que pareça interessante, fui parar em um blog sobre viagem, que destacava um texto sobre a geração que larga tudo pra viajar. Não vim aqui discorrer sobre viagem, mas sim sobre uma frase em particular que me chamou atenção.

A autora do texto disse que nós “nascemos em uma geração que deixou tudo preparado para nós, inclusive os nossos sonhos”. E, caramba, tem como ser mais realista? Sou uma jovem de classe média, que, graças ao esforço dos pais, tem mais que o necessário pra sobreviver. Meus pais (e os da maioria das pessoas com quem convivo) trabalham desde cedo, ao contrário de mim e de muitos que conheço que tem condição semelhante à minha. Obviamente não estou reclamando, sou imensamente grata por tudo que me foi proporcionado e tenho plena consciência de que existem milhares de pessoas que gostariam de estar em meu lugar.

O que muita gente não sabe, e que espero que não pareça “pequeno” diante de tantos problemas que a gente vê por aí, é que, junto com isso tudo, existe um sentimento de dívida. Faço um curso que gosto, mas que ainda não sei se é isso que vou amar fazer pro resto da vida. E é essa dúvida me deixa frustrada.

Me deixa frustrada porque, além das expectativas que eu mesma criei em relação à minha vida profissional, criaram expectativas por mim. Esperam constantemente que sejamos bem sucedidos, de preferência sem qualquer experiência anterior de fracasso. Essa expectativa é inconsciente, mas existe. Esperam que escolhamos coisas que, antes de tudo, nos tragam estabilidade financeira.

Mas à custo de que? Da minha realização profissional, talvez. E como assim, depois de tanto investimento, eu ainda tenho vontade de escolher algo que não garanta essa estabilidade eterna? Como assim, você não quer fazer concurso público? Como assim, você quer largar seu curso pra tentar algo que você nem sabe se vai dar certo?

Falando por mim como parte dessa geração, acho que existe uma frustração constante do lado de cá. Frustração essa por nem sempre poder atender às expectativas propostas, por não dar todo aquele retorno que esperam de nós e correr o risco de decepcionar. Cedo ou tarde, apesar da frustração, cabe a cada um tomar uma decisão: você vai viver o sonho de quem?

Nota

Sobre sonhos dos mais profundos

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Nos meus sonhos nada dessa confusão aconteceu. Ainda vamos nos ver todo dia e tudo é como antes. Eu e você naquele jogo pra ver quem se rende primeiro e ao mesmo tempo demonstrando sentimentos a cada atitude.

Nos meus sonhos você ainda faz os convites mais inusitados e eu vou descobrindo novos caminhos a cada vez que a gente se encontra. Você, que tanto finge não se importar, se morde de ciúmes porque eu troquei algumas palavras com seu melhor amigo ou me liga pra saber se cheguei bem em casa só porque está chovendo. Eu, com essa máscara de frieza, consigo ficar feliz só de te ver fazendo algo que te faz bem.

Nos meus sonhos a gente passa noites embaladas ao som de Arctic Monkeys. Olho no olho e sem máscaras entre nós. Nos meus sonhos um dia a gente cansaria de tanto jogar e nos renderíamos, sem medo de admitir o que estava acontecendo. Acho que está na hora de acordar.

“Maybe i’m too busy being yours to fall for somebody new…”