Nem sempre vai ficar tudo bem

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Esse não é um texto sobre esperança. Muito menos pra te fazer acreditar que, no fim, vai dar tudo certo. Porque a verdade é que não é sempre que vai dar, não. Às vezes vai dar errado de todas as formas possíveis e imagináveis (talvez nem sempre imagináveis), por mais que você deseje e tenha feito de tudo pra dar certo. A vida nunca foi muito justa e nem sempre é a sua boa vontade que vai mudar isso.

Talvez aquela sua viagem tão bem planejada seja totalmente o oposto do que você planejou. Aquele emprego que você tanto quis acabou com alguém que falava mais idiomas que você. Você se esforçou pra caramba pra conseguir alguma coisa e ninguém deu o valor devido. O amor da sua vida já tem outro amor.

Às vezes são pequenas coisas. Mas às vezes essas derrotas se tornam tão grandes que a gente se pergunta se vai realmente conseguir superar aquilo Mas olha, vai sim. Talvez com algumas baitas cicatrizes, mas vai. Com um jeito de encarar o mundo totalmente diferente, mas vai. Nem sempre vai ficar tudo bem, não do jeito que você queria que ficasse. Mas vai ficar tudo certo, de uma forma ou de outra.

Esse não é um texto sobre esperança. Mas é pra te mostrar que isso tudo é inevitável. Que, no fim das contas, não é sempre culpa sua. Que se não fossem essas derrotas talvez você não desse tanto valor a tudo que vai conquistar depois. Que vai doer, pode até demorar, mas dor nenhuma dura pra sempre.

Sobre o tal do desapego (ou a falta dele)

CLARICE2

Em uma de suas crônicas, Martha Medeiros diz que “passar uma vida inteira desapegada das pessoas seria entregar-se ao vazio existencial (…) desapegar-se em troca de paz é uma falácia, só demonstra covardia de viver”. Ultimamente o que mais se fala por aí é que devemos levar uma vida desapegada, sem criar expectativas e esperar nada do próximo, pois só assim não nos decepcionamos. Concordo em partes… Às vezes, pra que possamos seguir em frente e nos livrar de certas dores emocionais, o desapego é mais que bem-vindo, é necessário. Não esperar nada de ninguém pois assim tudo que vier é lucro. Desapegar de lugares, pessoas, sentimentos que só nos fazem mal e nos deixam pra baixo, porque só assim conseguimos seguir em frente e encarar o mundo de novo de mente e peito aberto. O tal do desapego, porém, não vem sendo muito bem praticado e muitos confundem isso com um estilo de vida totalmente “nem aí” pra nada ou ninguém. Acabamos criando uma geração de pessoas que têm medo. Medo de sentir, medo de tentar, medo de arriscar, simplesmente pelo medo de se apegar e serem julgadas de forma diferente por estarem desafiando essa sociedade desapegada. “Como assim, você tá gostando de alguém com quem só ficou umas duas vezes? Você se apega muito fácil, só vai se machucar”. Mas e daí? Não é pecado se machucar às vezes, na verdade nos ajuda e muito a amadurecer. Você não precisa ser aquela pessoa que não se deixa envolver por ninguém apenas pelo medo do que pode acontecer. Do mesmo modo não precisa ser aquela que se apaixona a cada esquina, se entregando de corpo e alma pra qualquer um que dê o mínimo e atenção. Não precisamos ser 8 ou 80, cadê o meio termo? O problema das pessoas é que são extremistas demais, em um mundo onde ficar em cima do muro às vezes é necessário.