Nem sempre vai ficar tudo bem

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Esse não é um texto sobre esperança. Muito menos pra te fazer acreditar que, no fim, vai dar tudo certo. Porque a verdade é que não é sempre que vai dar, não. Às vezes vai dar errado de todas as formas possíveis e imagináveis (talvez nem sempre imagináveis), por mais que você deseje e tenha feito de tudo pra dar certo. A vida nunca foi muito justa e nem sempre é a sua boa vontade que vai mudar isso.

Talvez aquela sua viagem tão bem planejada seja totalmente o oposto do que você planejou. Aquele emprego que você tanto quis acabou com alguém que falava mais idiomas que você. Você se esforçou pra caramba pra conseguir alguma coisa e ninguém deu o valor devido. O amor da sua vida já tem outro amor.

Às vezes são pequenas coisas. Mas às vezes essas derrotas se tornam tão grandes que a gente se pergunta se vai realmente conseguir superar aquilo Mas olha, vai sim. Talvez com algumas baitas cicatrizes, mas vai. Com um jeito de encarar o mundo totalmente diferente, mas vai. Nem sempre vai ficar tudo bem, não do jeito que você queria que ficasse. Mas vai ficar tudo certo, de uma forma ou de outra.

Esse não é um texto sobre esperança. Mas é pra te mostrar que isso tudo é inevitável. Que, no fim das contas, não é sempre culpa sua. Que se não fossem essas derrotas talvez você não desse tanto valor a tudo que vai conquistar depois. Que vai doer, pode até demorar, mas dor nenhuma dura pra sempre.

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A geração dos que já nasceram cercados de expectativas 

Em um desses dias em que a gente gasta o tempo ocioso na internet, entrando em qualquer site que pareça interessante, fui parar em um blog sobre viagem, que destacava um texto sobre a geração que larga tudo pra viajar. Não vim aqui discorrer sobre viagem, mas sim sobre uma frase em particular que me chamou atenção.

A autora do texto disse que nós “nascemos em uma geração que deixou tudo preparado para nós, inclusive os nossos sonhos”. E, caramba, tem como ser mais realista? Sou uma jovem de classe média, que, graças ao esforço dos pais, tem mais que o necessário pra sobreviver. Meus pais (e os da maioria das pessoas com quem convivo) trabalham desde cedo, ao contrário de mim e de muitos que conheço que tem condição semelhante à minha. Obviamente não estou reclamando, sou imensamente grata por tudo que me foi proporcionado e tenho plena consciência de que existem milhares de pessoas que gostariam de estar em meu lugar.

O que muita gente não sabe, e que espero que não pareça “pequeno” diante de tantos problemas que a gente vê por aí, é que, junto com isso tudo, existe um sentimento de dívida. Faço um curso que gosto, mas que ainda não sei se é isso que vou amar fazer pro resto da vida. E é essa dúvida me deixa frustrada.

Me deixa frustrada porque, além das expectativas que eu mesma criei em relação à minha vida profissional, criaram expectativas por mim. Esperam constantemente que sejamos bem sucedidos, de preferência sem qualquer experiência anterior de fracasso. Essa expectativa é inconsciente, mas existe. Esperam que escolhamos coisas que, antes de tudo, nos tragam estabilidade financeira.

Mas à custo de que? Da minha realização profissional, talvez. E como assim, depois de tanto investimento, eu ainda tenho vontade de escolher algo que não garanta essa estabilidade eterna? Como assim, você não quer fazer concurso público? Como assim, você quer largar seu curso pra tentar algo que você nem sabe se vai dar certo?

Falando por mim como parte dessa geração, acho que existe uma frustração constante do lado de cá. Frustração essa por nem sempre poder atender às expectativas propostas, por não dar todo aquele retorno que esperam de nós e correr o risco de decepcionar. Cedo ou tarde, apesar da frustração, cabe a cada um tomar uma decisão: você vai viver o sonho de quem?