Não culpe o outro pelas suas próprias expectativas

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Por um certo tempo pensei que fosse errado criar esperanças. Isso é basicamente o que querem que a gente pense. Que não podemos criar esperanças, expectativas e muito menos esperar o melhor dos outros. Afinal, ninguém pode correr o risco de se decepcionar, né?

O que muita gente não pensa é que o problema não está em esperar o melhor dos outros. O problema acontece quando culpamos o outro caso ele não cumpra a nossa expectativa.

Eu tenho sim o direito de querer que algo dê certo, esperar que isso aconteça e não me contentar com menos do que eu acho que mereço. Acontece que a outra pessoa também tem o direito de querer algo diferente que eu, além de não ter obrigação alguma de cumprir as expectativas criadas por mim. E não há nada de errado nisso, muito menos quer dizer que você errou em algum momento.

Nada mais normal que pessoas diferentes terem objetivos de vida diferentes, felizmente ou não. E não é porque não teve o fim que você queria que necessariamente tenha dado errado. Aceitar tudo isso não é fácil, mas culpar os outros pelas suas próprias frustrações consegue ser ainda pior.

A geração dos que já nasceram cercados de expectativas 

Em um desses dias em que a gente gasta o tempo ocioso na internet, entrando em qualquer site que pareça interessante, fui parar em um blog sobre viagem, que destacava um texto sobre a geração que larga tudo pra viajar. Não vim aqui discorrer sobre viagem, mas sim sobre uma frase em particular que me chamou atenção.

A autora do texto disse que nós “nascemos em uma geração que deixou tudo preparado para nós, inclusive os nossos sonhos”. E, caramba, tem como ser mais realista? Sou uma jovem de classe média, que, graças ao esforço dos pais, tem mais que o necessário pra sobreviver. Meus pais (e os da maioria das pessoas com quem convivo) trabalham desde cedo, ao contrário de mim e de muitos que conheço que tem condição semelhante à minha. Obviamente não estou reclamando, sou imensamente grata por tudo que me foi proporcionado e tenho plena consciência de que existem milhares de pessoas que gostariam de estar em meu lugar.

O que muita gente não sabe, e que espero que não pareça “pequeno” diante de tantos problemas que a gente vê por aí, é que, junto com isso tudo, existe um sentimento de dívida. Faço um curso que gosto, mas que ainda não sei se é isso que vou amar fazer pro resto da vida. E é essa dúvida me deixa frustrada.

Me deixa frustrada porque, além das expectativas que eu mesma criei em relação à minha vida profissional, criaram expectativas por mim. Esperam constantemente que sejamos bem sucedidos, de preferência sem qualquer experiência anterior de fracasso. Essa expectativa é inconsciente, mas existe. Esperam que escolhamos coisas que, antes de tudo, nos tragam estabilidade financeira.

Mas à custo de que? Da minha realização profissional, talvez. E como assim, depois de tanto investimento, eu ainda tenho vontade de escolher algo que não garanta essa estabilidade eterna? Como assim, você não quer fazer concurso público? Como assim, você quer largar seu curso pra tentar algo que você nem sabe se vai dar certo?

Falando por mim como parte dessa geração, acho que existe uma frustração constante do lado de cá. Frustração essa por nem sempre poder atender às expectativas propostas, por não dar todo aquele retorno que esperam de nós e correr o risco de decepcionar. Cedo ou tarde, apesar da frustração, cabe a cada um tomar uma decisão: você vai viver o sonho de quem?

Você ainda vai passar por essa porta?

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Certa vez ouvi de uma amiga (que por sinal costuma ser bem racional e coloca minha cabeça no lugar) que eu e outra amiga nossa temos a mania de definir vários dos nossos “casinhos” como inacabados. De acordo com ela, se não estamos mais com aquela pessoa, não tem como ser inacabado. Simplesmente durou pelo tempo que deveria e chegou ao fim.

Eu, que tenho a mania de ser teimosa, até hoje não concordo totalmente com isso. Acontece que nós, seres humanos, temos a necessidade de passar por encerramentos. Algo que aconteça ou seja dito que realmente garanta que a situação não tem volta. Caso contrário, a porta fica (nem que seja por pouco) aberta. E é aí onde mora o problema desses casos inacabados.

Fechar a porta para alguém é extremamente difícil, pois há a necessidade de reconhecer que dali não há como sair algo bom novamente. Mas quando acaba por motivos alheios e incontroláveis e a tal da porta fica aberta… Aí pode vir a ser muito pior. Simplesmente pelo fato de que qualquer ação, gesto ou palavra pode ser interpretado como sinal de que ainda existe algo ali. Daí surgem todas aquelas expectativas (que na maioria das vezes não são cumpridas já que ninguém é obrigado a saber o que exatamente você espera) e, em muitos casos, a desilusão.

Não que seja errado ainda ter esperança. O errado aqui é se prender excessivamente ao passado por esperar algo do futuro. Cada um tem plena consciência das portas abertas existentes em suas vidas. O que nos falta é somente analisar quais merecem ser mantidas assim e quais, cedo ou tarde, devem ser fechadas.

Um pouco sobre a defraudação emocional

O post de hoje vem meio diferente, já que não vou compartilhar nenhum texto meu. Vim aqui somente pra mostrar pra vocês um vídeo do João Bertoni que acabou me chocando pois me fez perceber que esse tipo de atitude realmente é mais comum do que nós pensamos. Qualquer um pode acabar se deixando levar e fazendo esse tipo de coisa, seja por gerar expectativas no outro, seja por se permitir “ser o amuleto de alguém”, como o João comenta no vídeo. Sem mais, assistam ao vídeo e, caso se interessem pelo assunto, podem procurar saber mais no blog da pastora Sarah Sheeva, que escreveu um livro intitulado “Defraudação Emocional”.

Sobre o direito de me permitir ser minha

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Resolvi tirar um tempo só pra mim. Me dar um tempo, sabe? Acho que depois de tanto me afogar no mar das minhas próprias expectativas (e também perceber que nem sempre é possível evitá-las), simplesmente cansei de alimentá-las com coisas ou pessoas superficiais.

Afinal, chega uma hora que a gente simplesmente para de se importar, né. Não com tudo, obviamente. Mas de se importar em vão, com o que não vai levar a nada. Não que devamos obrigatoriamente parar de aproveitar coisas momentâneas, passageiras e afins. Mas se há plena consciência de que é transitório, pra que apostar tantas fichas e esquentar tanto a cabeça?

Percebi também nesse tempo que acabei desenvolvendo certo tipo de preguiça de gente. Preguiça de fazer por onde, de me esforçar e de perder tempo com gente vazia. Já que realmente resolvi me dar um tempo, acho que tudo isso faz parte. E quer saber? Eu tenho esse direito. De me permitir recusar convites apenas por preguiça. E, principalmente, por vontade e necessidade de me colocar em primeiro lugar. Colocar as ideias no lugar. A vida no lugar.

Não quero ser o tipo de pessoa que se entrega a qualquer coisa pela metade, sei muito bem que ninguém merece alguém assim. O que muitos não entendem é que, pra ser inteira, eu não preciso de ninguém além de mim mesma.

Sobre o tal do desapego (ou a falta dele)

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Em uma de suas crônicas, Martha Medeiros diz que “passar uma vida inteira desapegada das pessoas seria entregar-se ao vazio existencial (…) desapegar-se em troca de paz é uma falácia, só demonstra covardia de viver”. Ultimamente o que mais se fala por aí é que devemos levar uma vida desapegada, sem criar expectativas e esperar nada do próximo, pois só assim não nos decepcionamos. Concordo em partes… Às vezes, pra que possamos seguir em frente e nos livrar de certas dores emocionais, o desapego é mais que bem-vindo, é necessário. Não esperar nada de ninguém pois assim tudo que vier é lucro. Desapegar de lugares, pessoas, sentimentos que só nos fazem mal e nos deixam pra baixo, porque só assim conseguimos seguir em frente e encarar o mundo de novo de mente e peito aberto. O tal do desapego, porém, não vem sendo muito bem praticado e muitos confundem isso com um estilo de vida totalmente “nem aí” pra nada ou ninguém. Acabamos criando uma geração de pessoas que têm medo. Medo de sentir, medo de tentar, medo de arriscar, simplesmente pelo medo de se apegar e serem julgadas de forma diferente por estarem desafiando essa sociedade desapegada. “Como assim, você tá gostando de alguém com quem só ficou umas duas vezes? Você se apega muito fácil, só vai se machucar”. Mas e daí? Não é pecado se machucar às vezes, na verdade nos ajuda e muito a amadurecer. Você não precisa ser aquela pessoa que não se deixa envolver por ninguém apenas pelo medo do que pode acontecer. Do mesmo modo não precisa ser aquela que se apaixona a cada esquina, se entregando de corpo e alma pra qualquer um que dê o mínimo e atenção. Não precisamos ser 8 ou 80, cadê o meio termo? O problema das pessoas é que são extremistas demais, em um mundo onde ficar em cima do muro às vezes é necessário.