Sobre o peso das decisões

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Ser uma pessoa decidida nunca foi exatamente o meu forte. Não por não saber o que quero, mas justamente por querer coisas demais. Apesar de tudo, a maioria das minhas decisões levava em conta não só as minhas vontades, mas também a dos outros envolvidos.

O problema é que chega uma hora que não dá mais pra agir assim. E, mesmo seguindo os conselhos dos ouros, uma hora a consciência vai bater, você vai começar a se perguntar se é isso mesmo que você quer e não vai dar pra procrastinar a decisão. E enfim esse momento chegou pra mim.

Quando parecia que estava tudo definido, me dei conta de que não sabia se aquilo era minha vontade ou se estava apenas seguindo a maré. Pior ainda, depois de analisar tudo, bateu o medo de admitir pra mim mesma qual a decisão eu havia tomado, já que vai contra tudo que eu venho dizendo há quase dois anos.

Acontece que, apesar de existirem sim pessoas que podem ser afetas pelas minhas e pelas suas decisões, quem mais vai sofrer as consequências somos nós. Somos nós que vamos ter que suportar o peso delas no dia-a-dia. Somos nós que vamos nos perguntar se tomamos a decisão certa. E, principalmente, somos nós que vamos sentir falta do que quer que abdiquemos. “Cada escolha é uma renúncia”. Frase clichê, antiga e já bem conhecida, mas, infelizmente, uma das maiores verdades que eu conheço.

Que atire a primeira pedra aquele que nunca procrastinou 

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Eu particularmente tenho essa mania horrível de deixar tudo pra depois e já me prejudiquei demais com essa de fazer as coisas de última hora. Ontem à noite, numa daquelas reflexões antes de dormir causada por um raro momento em que fui deitar cedo (e sem sono) por pura necessidade, me dei conta de algo pior: quantas vezes não já procrastinei até o simples ato de pensar?

Sendo mais clara, percebi que por muitas vezes evitei o ócio (nem que tenha sido ocupando a mente com qualquer besteira) apenas por ter medo de que tipo de coisa viria à minha mente caso isso acontecesse. Medo de analisar os últimos acontecimentos da minha vida e me dar conta de que não sei qual o rumo que ela está tomando. De ter que encarar que tudo que cresci acreditando talvez não seja o que realmente quero. Ou vai que é, mas tenho medo de admitir que precisaria abrir mão de muito que hoje faz parte do meu dia-a-dia, e cheguei num ponto em que não sei mais se sou capaz de fazer isso. Medo de analisar se a profissão que escolhi vai realmente me levar aonde quero chegar, e mais medo ainda de buscar outras alternativas que me levem até lá.

Acontece que, com medo ou não, certas escolhas precisam ser tomadas. E, caso a gente nunca pare e realmente pense sobre cada uma delas, vamos ser apenas mais um bando de acomodados que esperam que a vida se encarregue de tudo ao nosso redor. Não, parar de procrastinar nossas decisões não quer dizer que elas sempre serão as melhores possíveis. Uma hora ou outra, o fantasma daquele “e se eu tivesse feito tudo de outra forma?” vai aparecer. Nessa hora, o melhor é lembrar que, apesar de tudo, são esses erros e dúvidas que fazem de nós o que realmente somos. E não tem nada que dê mais orgulho que saber que você é o responsável pelo seu próprio caminho.