Amizade é via de mão dupla

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Ao longo dos meus míseros 19 anos de idade, se teve uma coisa que nunca vi foi algum relacionamento dar certo quando só houve esforço de uma das partes. Não estou falando de se esforçar para impressionar e dar motivos para que o outro queira ficar, afinal, sempre fui adepta a filosofia que diz que se precisamos nos esforçar tanto para manter alguém ao nosso lado, é porque ele não merece estar ali. Além disso, cheguei em uma fase em que só vejo necessidade de conviver com quem realmente tem algo a acrescentar e me mostra que todo o “esforço” é mútuo.

Estou aqui falando não em insistir para que o outro fique, e sim em não dar motivos para que ele vá. Em evitar confusões desnecessárias por motivos que logo, logo serão esquecidos. Reconhecer que não é porque é seu amigo que te pertence exclusivamente. Reconhecer também que cada um tem suas limitações e o que pode ser algo pequeno e sem importância para você pode vir a se tornar uma grande magoa para o outro. Aprender a passar por cima do orgulho por quem merece e se desculpar por qualquer mal causado mesmo que sem intenção. Aprender também a perdoar e se dar conta de que, como seres humanos, somos todos passíveis ao erro, e não será seu amigo que vai fugir da regra. Aprender que na amizade verdadeira não existe ganhador e perdedor, existem duas pessoas que abrem mão de certas coisas por um bem maior.

Já perdi as contas de quantos “amigos” perdi até hoje por falta dessas coisas básicas. Por falta de respeito, de confiança, de compreensão. Dizem que, à medida em que envelhecemos, nosso círculo de amizade tende a diminuir. Não desejo que comigo seja diferente. Desejo apenas que comigo fiquem os poucos, os bons, os loucos e, acima de tudo, os que, não importa a distância ou o tempo que fiquem afastados, sempre estarão ali.

Não hesite em deixar pra trás

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Nunca fui fã de despedidas. Talvez o fato de elas sempre terem sido presentes na minha vida seja a causa disso. Nunca fui boa em dizer “adeus”, “tchau” ou até um “até logo”. Nunca foi meu forte me despedir de coisas, lembranças, lugares e, pior ainda, pessoas.

A sensação de possibilidade de não rever algo, seja lá pelo qual motivo, foi se tornando um pouco menos aflitiva, mas sem deixar de ser mais uma das coisas com as quais não aprendi totalmente a lidar.

Apesar disso, se tem algo que as despedidas me ensinaram foi que, mesmo dolorosas, elas são necessárias. Somos tão acostumados com nossa rotina, nossos hábitos e nosso dia-a-dia que deixamos de enxergar o quanto precisamos nos despedir de certas coisas.

De coisas que ocupam espaço desnecessário. De certas lembranças que insistem a nos prender ao passado. De certos lugares que fazem mal por não nos deixar à vontade. E, principalmente, de certas pessoas que nos põem para baixo e nos limitam.

Conheceremos durante a vida todo tipo de pessoa, mas cabe a nós perceber quem vai se despedir com o primeiro obstáculo que aparecer e quem realmente fica. E, acima de tudo, cabe a cada um aprender a lidar com isso da melhor forma que puder.