Não me diga que está com saudade

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Não me diga que está com saudade se você não está. Não me venha com suas palavras bonitas e frases prontas se não é nada disso que você realmente sente. Sinceridade é uma coisa tão linda e tão rara hoje em dia… Você ficaria realmente surpreso se soubesse o quanto eu a valorizo mais que um elogio forçado.

Não me diga o quanto você gostaria de me ver, sendo que na prática não faz o mínimo esforço para que isso aconteça. Não tente colocar a culpa toda em mim, quando no fundo você sabe que quem não fez por onde foi você. Não faça joguinhos comigo, já passei da fase de fingir falta de interesse para prender alguém. Não me faça promessas vazias, quando você não pretende estar presente no futuro para cumpri-las. Não me dê satisfações da sua vida, se você sente que é apenas por obrigação.

Não estou te pedindo que abra mão de nada por mim. Não estou dizendo que você precisa me dar atenção 24 horas por dia. Não vou te fazer cobranças desnecessárias. Mas não diga que está com saudade. Um “Tô indo te ver” cai bem melhor.

A eterna contradição entre vaidade e autoconfiança

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Depois de uma conversa com um amigo, comecei a reparar em um tipo de atitude que parece ser bem comum hoje. Apesar de vivermos na era da vaidade e da valorização da beleza física, a maioria das pessoas (normais) ainda tem uma séria dificuldade em reconhecer (ou admitir) sua própria beleza. Não que eu queira viver rodeado de pessoas egoístas, convencidas e obcecadas com a aparência, mas o que reparei é que até as reações aos elogios mudaram.

Se eu digo que alguma amiga está bonita, a resposta é sempre “que nada, não precisa exagerar”, e por aí vai. Na verdade, chega a ser quase um insulto para a sociedade caso a tal pessoa responda com um simples “obrigada”, já que, como é possível alguém ter a consciência de que está bem?

Aliás, se você está se sentindo bem e bonita, é preciso o máximo de cuidado pra dizer isso. Vivemos na era da valorização do amor próprio, mas caso você queira expressar isso, é melhor apenas dizer que está “se sentindo bonitinha”, pois o receio de ofender o outro por dizer isso está sempre presente.

A moda agora é passar horas tentando parecer bem para, na hora de receber um elogio, dar a entender que, não só não fez nada demais, como também não está tão bem assim. Talvez seja a hora de pararmos de nos contradizer e reconhecer que não existe mal algum em estar bem, se sentir bem e ter vontade de deixar isso claro.

 

Sobre o peso das decisões

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Ser uma pessoa decidida nunca foi exatamente o meu forte. Não por não saber o que quero, mas justamente por querer coisas demais. Apesar de tudo, a maioria das minhas decisões levava em conta não só as minhas vontades, mas também a dos outros envolvidos.

O problema é que chega uma hora que não dá mais pra agir assim. E, mesmo seguindo os conselhos dos ouros, uma hora a consciência vai bater, você vai começar a se perguntar se é isso mesmo que você quer e não vai dar pra procrastinar a decisão. E enfim esse momento chegou pra mim.

Quando parecia que estava tudo definido, me dei conta de que não sabia se aquilo era minha vontade ou se estava apenas seguindo a maré. Pior ainda, depois de analisar tudo, bateu o medo de admitir pra mim mesma qual a decisão eu havia tomado, já que vai contra tudo que eu venho dizendo há quase dois anos.

Acontece que, apesar de existirem sim pessoas que podem ser afetas pelas minhas e pelas suas decisões, quem mais vai sofrer as consequências somos nós. Somos nós que vamos ter que suportar o peso delas no dia-a-dia. Somos nós que vamos nos perguntar se tomamos a decisão certa. E, principalmente, somos nós que vamos sentir falta do que quer que abdiquemos. “Cada escolha é uma renúncia”. Frase clichê, antiga e já bem conhecida, mas, infelizmente, uma das maiores verdades que eu conheço.

A geração dos que já nasceram cercados de expectativas 

Em um desses dias em que a gente gasta o tempo ocioso na internet, entrando em qualquer site que pareça interessante, fui parar em um blog sobre viagem, que destacava um texto sobre a geração que larga tudo pra viajar. Não vim aqui discorrer sobre viagem, mas sim sobre uma frase em particular que me chamou atenção.

A autora do texto disse que nós “nascemos em uma geração que deixou tudo preparado para nós, inclusive os nossos sonhos”. E, caramba, tem como ser mais realista? Sou uma jovem de classe média, que, graças ao esforço dos pais, tem mais que o necessário pra sobreviver. Meus pais (e os da maioria das pessoas com quem convivo) trabalham desde cedo, ao contrário de mim e de muitos que conheço que tem condição semelhante à minha. Obviamente não estou reclamando, sou imensamente grata por tudo que me foi proporcionado e tenho plena consciência de que existem milhares de pessoas que gostariam de estar em meu lugar.

O que muita gente não sabe, e que espero que não pareça “pequeno” diante de tantos problemas que a gente vê por aí, é que, junto com isso tudo, existe um sentimento de dívida. Faço um curso que gosto, mas que ainda não sei se é isso que vou amar fazer pro resto da vida. E é essa dúvida me deixa frustrada.

Me deixa frustrada porque, além das expectativas que eu mesma criei em relação à minha vida profissional, criaram expectativas por mim. Esperam constantemente que sejamos bem sucedidos, de preferência sem qualquer experiência anterior de fracasso. Essa expectativa é inconsciente, mas existe. Esperam que escolhamos coisas que, antes de tudo, nos tragam estabilidade financeira.

Mas à custo de que? Da minha realização profissional, talvez. E como assim, depois de tanto investimento, eu ainda tenho vontade de escolher algo que não garanta essa estabilidade eterna? Como assim, você não quer fazer concurso público? Como assim, você quer largar seu curso pra tentar algo que você nem sabe se vai dar certo?

Falando por mim como parte dessa geração, acho que existe uma frustração constante do lado de cá. Frustração essa por nem sempre poder atender às expectativas propostas, por não dar todo aquele retorno que esperam de nós e correr o risco de decepcionar. Cedo ou tarde, apesar da frustração, cabe a cada um tomar uma decisão: você vai viver o sonho de quem?

Reinventar-se e as suas possíveis consequências

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Tá pra existir sensação mais estranha que a de não se reconhecer. Talvez seja estranho de um jeito bom, já que se reinventar é necessário. Mas talvez seja de um jeito ruim, quando você percebe que suas atitudes já não condizem mais com seus ideais, seus padrões e tudo aquilo que você costumava pregar. O problema é que quase toda inovação traz consigo esses dois lados, e nem sempre gostamos do resultado final.

Eu mesma já me peguei agindo de uma forma que nunca pensei que fosse capaz. Aquelas fases ruins, em que você parece só dar importância a coisas e pessoas sem valor, enquanto as que deveriam realmente ter espaço na sua vida acabaram ficando de lado. Eu passava tempo demais me esforçando em vão, insistindo em coisas que no fundo eu sabia que não me levariam a lugar nenhum. E foi aí que veio aquela estranheza ruim. E com ela, a necessidade de mudar e fazer diferente.

Por outro lado, ultimamente ando me deparando com o lado bom de não me reconhecer. Pode não ser tão claro e até meio contraditório, mas eu sempre fui muito dependente em alguns aspectos. No sentido de precisar de alguém pra resolver certas coisas, quer fosse um dos meus país, quer fosse alguma amiga. Mas tudo que aconteceu de uns 2 anos pra cá serviu pra que eu desenvolvesse uma maturidade que talvez não existiria caso tudo houvesse saído como eu planejava. A maturidade necessária para me fazer ser o suficiente e pra reconhecer que eu sou sim capaz de resolver muitos dos meus problemas sozinha. E não existe modo melhor de não se reconhecer que esse.

Reinventar-se é necessário. Porém, mais necessário ainda é ter a sabedoria para reconhecer quais as inovações que realmente te convém e te levam para a frente e quais são aquelas que, no final, só servem pra atrapalhar tudo aquilo que você já conquistou até agora.

Por (certos) relacionamentos sem correntes

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Vou direto ao assunto: eu não suporto ser cobrada. E quando digo isso, quero dizer que é o tipo de coisa que me faz olhar para alguém com outros olhos. Obviamente não estou me referindo a todas as cobranças de pais ou até algumas que a sociedade impõe como via de regra para o sucesso. Eu não suporto ser cobrada em um relacionamento. Apesar disso, entendo que em um relacionamento amoroso, certas cobranças também são inevitáveis. Meu problema fica maior quando elas acontecem em amizades.

Posso estar soando extremamente chata, mas não poderia ser menos sincera. Talvez seja por isso que evito ao máximo cobrar algo a alguém. Exigir atenção, prontidão, disposição e tudo mais é algo que eu realmente tento só fazer em último caso. Tudo isso esperando que não me cobrem também. Mas o ponto é: o que eu mais vejo é gente cobrando do outro algo que nem eles mesmos fazem. Exigindo que façam por eles uma coisa que talvez nunca se mostraram dispostos a fazer por ninguém.

Como já falei por aqui, na minha opinião, amizade é uma via de mão dupla. E realmente não dá pra continuar nessa via caso um dos envolvidos não entenda que os sacrifícios não devem partir só do outro. Porque sinceramente, ninguém mais quer se prender a algo que não seja recíproco. E quando existe reciprocidade, você talvez perceba que não há necessidade de cobrar, exigir, nem nada disso.

Você vai perceber que são poucos, mas existem sim os que querem voar com você, sem todos os dramas. Aí você se dá conta de que quem anda do seu lado mesmo não é quem exige sua disponibilidade (mesmo que ele também nem seja assim tão disponível), e sim quem entende os motivos por trás da possível falta dela.

Você ainda vai passar por essa porta?

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Certa vez ouvi de uma amiga (que por sinal costuma ser bem racional e coloca minha cabeça no lugar) que eu e outra amiga nossa temos a mania de definir vários dos nossos “casinhos” como inacabados. De acordo com ela, se não estamos mais com aquela pessoa, não tem como ser inacabado. Simplesmente durou pelo tempo que deveria e chegou ao fim.

Eu, que tenho a mania de ser teimosa, até hoje não concordo totalmente com isso. Acontece que nós, seres humanos, temos a necessidade de passar por encerramentos. Algo que aconteça ou seja dito que realmente garanta que a situação não tem volta. Caso contrário, a porta fica (nem que seja por pouco) aberta. E é aí onde mora o problema desses casos inacabados.

Fechar a porta para alguém é extremamente difícil, pois há a necessidade de reconhecer que dali não há como sair algo bom novamente. Mas quando acaba por motivos alheios e incontroláveis e a tal da porta fica aberta… Aí pode vir a ser muito pior. Simplesmente pelo fato de que qualquer ação, gesto ou palavra pode ser interpretado como sinal de que ainda existe algo ali. Daí surgem todas aquelas expectativas (que na maioria das vezes não são cumpridas já que ninguém é obrigado a saber o que exatamente você espera) e, em muitos casos, a desilusão.

Não que seja errado ainda ter esperança. O errado aqui é se prender excessivamente ao passado por esperar algo do futuro. Cada um tem plena consciência das portas abertas existentes em suas vidas. O que nos falta é somente analisar quais merecem ser mantidas assim e quais, cedo ou tarde, devem ser fechadas.